Alex Régis
Laboratórios do curso de Medicina do Campi de Caicó são um dos atrativos e diferenciais do curso

A alta pontuação é atribuída a dois fatores, pontua George Dantas de Azevedo, diretor da Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN, em Caicó. Um deles é o recurso que aumenta a pontuação de alunos que estudam na região em que o campus está inserido: o argumento de inclusão regional. Desde 2013, a UFRN adotou o mecanismo que consiste no acréscimo de 20% na nota final do candidato no processo seletivo.
“Esta é uma política de interiorização adotada para todos os cursos em todos os campi, exceto de Natal e em Macaíba, para favorecer a fixação do profissional formado pela UFRN, nestes locais”, explica George Dantas. Além disso, de forma indireta, a política de ensino superior influencia a qualidade de ensino fundamental e médio de escolas do interior e movimenta a economia.
A medida segue modelo adotado em países como Canadá e Austria, que apresentaram redução significativa no êxodo de profissionais das cidades universitárias, após a conclusão do curso. O argumento de inclusão regional é concedido a alunos das redes públicas e privadas que comprovem a conclusão do Ensino Fundamental e de cursar os três anos do Ensino Médio nas 15 regiões e microrregiões do Estado e da Paraíba (veja quadro na página 10), previstas na resolução da UFRN. E restrito ao acesso de alunos aprovados para o Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), em Currais Novos ou Caicó, e Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (FACISA), em Santa Cruz.
Um aluno que concorre a vaga de Medicina em Caicó, numa segunda chamada, caso queira pleitear vaga no mesmo curso do campus Natal não contaria com o bônus”, afirma o professor.
Mas não é só isso, explica ele, a qualidade do ensino com metodologia diferenciada para abordar o mesmo conteúdo da grade curricular do curso de medicina na capital. “A metodologia é mais voltada para a resolução de problemas junto a comunidade, no interior, zona rual, desde o primeiro semestre. Isso atrai mais os estudantes”, afirma o diretor.
Candidata ao curso de Medicina, a caicoense Sarah Liz Araújo Melo, de 18 anos, critica o argumento de inclusão. Por ter estudado em Natal, ela desistiu de concorrer a vaga na cidade em que nasceu por considerar “inacessível” atingir o ponto de corte no campus Caicó. “É restritivo, inacessível, não tive como me inscrever lá por isso. Minha média dar para competir as vagas na UFRN e UERN, mas não na minha cidade”, lamentou.
FONTE - TRIBUNA DO NORTE
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